“Pais e professores lutam pelo mesmo sonho - o de tornar os seus filhos e alunos felizes, saudáveis e sábios - e cultivam os terrenos mais difíceis de serem trabalhados: os da inteligência e da emoção.” Augusto Cury
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segunda-feira, 11 de abril de 2011

Está explicado!!

"Os meninos não deixam cortar as unhas dos pés porque acreditam, no íntimo acreditam, que toda a força lhes vem das unhas dos dedos dos pés. Os dedos dos pés dos meninos não são os dedos dos pés dos adultos (portugueses). Se assim fosse teriam um nome próprio, como gardias ou formias, que quisesse dizer unhas, mas dos pés, dos dedos dos pés. Os meninos são fortes e sobem escadas e dão saltos mortais, vão mais depressa do que o som, correm como o cavalo das asas, leves, rápidos, cheios de energia.

Num livro de conselhos aos pais, desses que sai grátis com o sabão da máquina ou com as fraldas, estava escrito, naquela linguagem insuportável do PsicoSá, que as unhas dos pés se cortam a direito, de preferência quando o bebé dorme. Para abreviar era isto que estava escrito. Assim o menino acordou quando a mãe lhe cortava os pés. Isto é os dedos dos pés. As unhas dos dedos dos pés. A direito, enquanto dormia. O menino nunca mais dormiu e a mãe não percebe porquê.

Tive que lhe contar a história de Sansão e Dalila. Sansão era muito forte e tinha uma longa cabeleira como a do pai do menino. Toda a força lhe vinha dos cabelos longos. Dalila dormia com Sansão. Incapaz de vencer Sansão pela força, o Império seduziu Dalila com a promessa de um lugar na próxima longa metragem. E durante a noite Dalila cortou os longos cabelos do amante adormecido, assim lhe tirando a força e a graça.

Acho que percebeu. Ainda não encontrei nenhuma mulher que não percebesse a desgraça de Sansão. Mas continuam a cortar os pés das crianças, rente às unhas, na calada da noite."

In Bebé Filósofo

quinta-feira, 24 de março de 2011

Eduardo Sá: “Estamos a espatifar a infância das crianças”

O Estado não está a cumprir a lei no que respeita à proteção das crianças em risco, acusa Eduardo Sá. Em entrevista, o psicólogo lança duras críticas ao caso do desaparecimento de Rui Pedro que veio demonstrar que, em Portugal, há crianças de primeira e crianças de segunda. Os meios mobilizados, comparativamente aos de Maddie McCann, foram prova disso.

Disse um dia que as crianças estão em vias de extinção…

Estão. Não digo isso pelo facto de o Governo e a oposição as terem transformado numa espécie de conta poupança reforma. Acho até divertido que se fale de tudo e mais alguma coisa nas várias campanhas – presidenciais incluídas – e as questões das crianças e a política de fundo para a família nem sequer exista. Portanto, o que é que a mim me preocupa? Preocupa-me esta ideia complemente absurda de crescimento, que dá a entender que as crianças têm que ser jovens tecnocratas de fraldas antes dos seis, têm que ser jovens tecnocratas de mochila depois dos seis e têm que ser jovens tecnocratas de sucesso ao entrarem na universidade para que, finalmente – como se fosse uma linha de montagem –, saíssem todos mestres. Mestre é a designação mais vergonhosa que eu já vi para um título académico, porque é um título que reconhecemos aos sábios.

Andamos a enganar os jovens?

Isto é o cúmulo da publicidade enganosa. Explicar a miúdos com 22 e 23 anos que são mestres, de maneira a esperar que eles sejam, de preferência, ídolos antes dos 30… Anda toda a gente num registo eufórico e doente, que não percebe que as pessoas precisam de tempo para crescer. Acho engraçadíssimo quando dizem com orgulho que no jardim-de-infância há crianças que já sabem ler e escrever, mas não é isso que as torna mais sábias. Às vezes, as pessoas confundem macacos de imitação com crianças sábias. Acho engraçadíssimo quando as crianças não podem errar – eu julgava que errar era aprender. Mas não: as crianças têm que ter notas que são insufladas sabe Deus pelo quê. Vivem empanturradas em explicações. Se os pais puderem utilizar todo o tempo que a escola coloca ao serviço das famílias, elas podem passar 55 horas por semana na escola… Estamos a espatifar a infância das crianças, a espatifar a adolescência e, depois, com um olhar absolutamente cândido, dizemos que elas têm défi ces de atenção.

Existe a ideia que as pessoas mais escolarizadas são pessoas mais educadas?

Vive-se com essa a ideia. E peço desculpa, mas as pessoas, com toda a boa vontade do mundo, estão a tornar as crianças mais estúpidas. Se as crianças não aprendem a tolerar as frustrações, nunca hão de ser engenhosas e nunca hão de aprender com as dificuldades. A dor dói, magoa, mas é uma oportunidade de crescimento e não há dores que venham por bem. As dores são as grandes oportunidades para nos interpelarmos e para nos transformarmos. E nós não damos oportunidade às crianças para serem crianças. Queremo-las como fossem clones daquilo que nós sonhámos ser, mas que não fomos capazes. E, nestas circunstâncias, tem que haver alguém com algum bom senso que diga “tenham cuidado que estão a comprometer tudo”.

As crianças brincam pouco?

As crianças brincam de menos. Se houvesse em Portugal um Ministério da Educação digno desse nome, teria outro tipo de cuidado com os recreios das escolas. Os recreios das escolas públicas são uma vergonha. Não reúnem condições indispensáveis para brincar. As escolas deviam ter recreios cobertos, mas brincar é, para os governantes, uma atividade tipo primavera-verão: quando está frio e a chover, as crianças não podem ficar nas salas, não podem ficar nos espaços comuns, não podem andar na chuva… Brincam nos beirais, que é uma preparação para os desportos radicais. Mas, na falta de cuidados em relação às crianças, há um exemplo que é o mais delicioso do mundo: não compreendo porque é que as crianças têm uma disciplina de Educação para Saúde e depois, nomeadamente nas escolas públicas, as casas de banho dos alunos não cumprem as condições indispensáveis em termos de saúde pública. Para a ASAE, a segurança alimentar é importante, a contrafação é importante. As crianças, não.

O que lhe apraz dizer sobre toda esta polémica em torno dos contratos de associação?

Não me choca que o Estado, quando não consegue cumprir os seus compromissos, possa delegá-los noutros. E possa, na sequência disso, fazer os contratos de associação que acha que deve fazer. Até aqui, isto é pacífi co. Agora, há dois aspetos que me parecem incontornáveis: quando as pessoas querem negociar de forma séria e leal, negoceiam a tempo e horas e não me chocaria se hoje estivéssemos a negociar uma transformação para daqui a dois anos, de maneira a que se possam pensar alternativas. Não acho que o Governo tenha estado bem neste aspeto. Agora, choca-me que depois as crianças sejam instrumentalizadas de uma forma absolutamente indecorosa e sejam trazidas para discussões que não são bem razoáveis. Instrumentalizar campanhas presidenciais à esquerda e à direita com este tipo de questões, peço desculpa, é um bom serviço em favor do obscurantismo.

Cada vez mais se ouve falar de crianças maltratadas…

Felizmente.

Tal não significa que haja maior número de crianças nessa condição?

Por amor de Deus. Estas são as melhores famílias que a humanidade conheceu. As atuais. O que significa que os nossos filhos estão seguramente melhores.

O que leva um pai a maltratar um filho?

(suspira) Muito sofrimento acumulado. Pessoas doentes sempre existiram ao longo da história. O sistema judicial é que não. É uma conquista importante da humanidade e todos nós devemos exigir que um sistema judicial, dedicado às crianças, seja um bocadinho de sistema judicial e que tenha um componente significativo de saúde, nomeadamente de saúde mental. Que nós aceitemos que os pais maltratem, não podemos aceitar; que nós aceitemos que o Estado, como garante de princípios fundamentais, seja omisso na proteção das crianças, é que eu acho que seja inadmissível. Quando grande parte das comissões de proteção tem pessoas da maior generosidade que estão em part-time ou em voluntariado, isto diz bem o que é a proteção das crianças em Portugal. Quando nós admitimos que haja crianças que, no fundo, estão sinalizadas como estando em perigo, mas estão em perigo durante anos… É aqui que eu acho que temos que parar e perceber o que é que queremos da proteção das crianças. Porque o Estado não cumpre a lei. Em média, as crianças estão confiadas aos centros de acolhimento cinco anos. O Estado comete ilegalidades sobre ilegalidades a esse nível.

Mas porque é que se maltrata?

Repare: ainda hoje há pessoas que suspiram pela escola do antigo regime, que era uma escola exemplar, onde cada erro representava uma reguada. Muitos destes pais tiveram escolas e famílias muito autoritárias. É por isso que os pais hoje, quando se trata de dizer que “não” a um filho, confundem autoridade e autoritarismo. E passam a vida quase a pedir desculpa com a ideia de que o “não” traumatiza. A autoridade é um exercício de bondade; o autoritarismo é um exercício de prepotência. A prova de que nós fomos crescendo com estes equívocos é um bocadinho esta. Ainda há pais maltratantes.

De todos os estratos sociais, portanto…

De repente, até parece que os pais da classe média não maltratam. Há crianças que andam em colégios para meninos com “pedigree” e chegam lá todos os dias com marcas de serem batidas. E quando têm 80 por cento nos testes ficam em pânico, porque são aterrorizadas constantemente… Essas crianças estão em perigo. Porque é que as comissões nunca protegem esse tipo de crianças? Temos que proteger mais e proteger melhor. E os tribunais têm que ser mais duros em relação aos pais que maltratam e negligenciam porque, por mais doentes que eles estejam, não têm o direito de desbaratar todos os recursos saudáveis dos filhos.

Como comenta caso do Rui Pedro, desaparecido há 13 anos?

Uma vergonha! É uma vergonha que o Estado – e não estou a falar dos tribunais nem da justiça – o Estado, como garante do exercício da justiça, mobilize os meios que mobilizou para a menina do casal McCann e não mobilize os mesmos meios para todas as crianças desaparecidas. Não há em Portugal, não pode haver num Estado de Direito, crianças de 1.ª e crianças de 2.ª. não é justificação que alguns elementos de aparelho de Estado digam “não averiguámos porque não havia meios”. Isto é ainda é mais ofensivo para os cidadãos que, com um esforço terrível, pagam impostos resultantes da má governação dos governos dos últimos 30 anos. Estamos a falar da vida de uma criança que não sabemos onde está; se está viva ou não. Estamos a falar de pais que há 13 anos, desesperadamente, apelam de todas as formas possíveis por ajuda. E eu já perdi a conta a comentários de pessoas que comentam tudo e que até em relação ao equilíbrio mental da mãe já se dirigiram. Meus Deus! Quem é que é o pai de bom senso que, ao fi m de 13 anos nestas condições, consegue estar equilibrado? Ninguém.

O Estado falhou neste caso?

Aquilo que o Estado mobiliza quando uma criança desaparece nunca são os meios necessários e sufi cientes, porque parte sempre do pressuposto que não é uma questão tão urgente como o crime económico e outras coisas do género. Acho isto da maior gravidade. E acho, sobretudo, da maior gravidade que um país inteiro pare à procura de uma criança – e acho muito bem –, mas como se as crianças tivessem nacionalidade. Compreende? Como é que podemos esperar que aqueles pais aceitem uma disparidade desta natureza, como se os filhos dos outros fossem filhos de 1.ª e os filhos deles fossem filhos de 2.ª. Acho uma vergonha. E aquilo que é ainda mais vergonhoso é que este caso não tenha merecido por parte das figuras do Estado, ao menos isto: um pedido de desculpas aos cidadãos e tomarem isto como pretexto para configurarem outra forma de atuação para evitar que isto se repita.

É possível ensinar as pessoas a serem bons pais?

É. Os pais precisam de falar pelos filhos: eles sabem muito bem que quem nos ama diz-nos por atos (e por omissões) qualquer coisa como: “sente-me em ti, pensa por mim e fala por nós”. E, de facto, os pais às vezes sentem, pensam, mas não falam. Não falam nem por eles, nem pelos filhos. Ensinar pode fazer-se de maneira divertida, pode significar dizermos aos pais que estão obrigados a dar uma hora por dia aos filhos. Uma hora de mãe ou uma hora de pai, faz muito melhor do que o óleo de fígado de bacalhau para as crianças crescerem. E é necessário dizer aos pais que têm fazer, pelo menos, uma asneira de oito em oito horas. Os pais que não fazem asneiras não são bons pais.

Costuma dizer que as pessoas têm o coração apertado até ao último botão. É o que se passa com os pais?

Acho que somos todos mal-educados. Todos tivemos uma educação judaico-cristã, uma educação positivista que, em muitos aspetos foi importante, mas que criou um vício de forma muito cartesiano que nos leva a imaginar que, quanto mais racionais, melhores pessoas. Fomos todos mal-educados para as emoções. Ainda continuamos a achar que ter raiva é uma coisa feia, como se a raiva não fosse o melhor ansiolítico do mundo. Quem assume que tem ódio de vez em quando? E o ódio só acontece quando alguém que nos ama nos magoa muito. As emoções são um GPS fantástico que temos na nossa vida e nós somos educados para reprimir as emoções. Quando reprimimos as emoções, além dos efeitos neurológicos que isto provoca, vai introduzir uma coisa que é pior: à medida que não transformamos as emoções em palavras, passamos a ficar partidos ao meio. Sentimos tudo, somos tremendamente intuitivos, mas depois deixamos de aprender a falar. Quanto menos somos educados para as emoções, menos educados nos tornamos para as palavras e mais começamos a adoecer.

Somos, então, mal-educados para o amor?

Somos também mal-educados para o amor. Mas para que é que é preciso educação sexual nas escolas? Vai-me desculpar, a sexualidade faz muito bem à saúde. Mas muitas vezes esta “educação moral e religiosa parte II” está a partir do pressuposto de coisas erradas. Educar para o amor é uma coisa muito mais séria. É muito importante dizer o que é o aparelho reprodutor e falar de meios contracetivos… nada disso merece questão. Mas o que eu gostava é que também se explicasse o que é que são as relações amorosas. Devia ou não devia ser proibido casar com o primeiro namorado? Só devia. Quer dizer: passamos a vida a dizer que errar é aprender, mas nas relações amorosas temos que acertar à primeira. Onde é que isto já se viu? Isto é mentira. Se queremos educar para as relações amorosas, devíamos dizer que devia ser proibido casar para sempre.

Não devia ser para sempre?

São todas para sempre. Mas o que eu gostava que as pessoas percebessem é que quanto mais importante é uma relação mais frágil se torna. Porque exigimos às pessoas que amamos – e bem –aquilo que não exigimos a mais ninguém. E quanto mais importante for uma relação, mais preciosa ela é. Era muito bom que nós dissemos que todas as relações morrem, sobretudo as mais importantes e, sobretudo, se foram maltratadas. No fundo, educam-nos para nós abotoarmos o coração até o último botão. E, às vezes, as pessoas despem-se facilmente por fora e têm dificuldade em perceber que o grande desafio da vida é despirmo-nos por dentro. É darmo-nos a conhecer por dentro.

Tem uma boa relação com os seus alunos de Psicologia da Universidade de Coimbra?

Gosto muito deles. Gosto muito de dar aulas, mas não gosto do poder universitário. Aprendo muito quando dou aulas, porque sinto-me obrigado a transmitir uma experiência muito diversificada e de muitos anos, a ser claro e simples. Nem sempre é uma relação/opção fácil, mas quando eles percebem que somos capazes de gostar deles e que conseguimos transformar um universo muito complexo como o da vida mental numa leitura relativamente simples, torna-se uma relação muito boa. Não perco de vista que eles são colegas mais novos.

Do que não gosta no poder universitário?

Às vezes,fico meio sem jeito ao dar-me conta de como, em muitos momentos no meio universitário, o bom gosto e a boa educação faltam. E devo dizer-lhe que faltam onde não deviam faltar. Mais do que integrar conhecimentos, as escolas servem para nós ficarmos melhor educados e para nos tornamos melhores pessoas e há muitos episódios soltos, em escolas universitárias – não só em Coimbra – em que os professores são um bom exemplo daquilo que não é boa educação. E depois há um aspeto na vida universitária que me preocupa: existe uma diferença profunda entre os sabichões e os sábios. E há densidade de sabichões por metro quadrado na vida universitária que me incomoda. Acho que os sábios mudam o mundo. Não precisamos de ser altivos ou arrogantes para merecermos respeito.

Não é um meio que convide a pensar?

O poder universitário não é um meio onde a sabedoria seja premiada. Não é. E, às vezes, não é um meio que convide a pensar, onde as pessoas se possam interpelar de forma vertical e leal. Às vezes, não é um meio leal, o que eu acho incompreensível.

Teve uma infância feliz?

Gostava de ter brincado muito mais. Gostava de não ter passado por algumas situações difíceis que vivi. Poderia ser muito melhor, seguramente.

in http://www.asbeiras.pt/

quarta-feira, 23 de março de 2011

Verdade, verdadinha!

domingo, 20 de março de 2011

PARA LEREM COM ATENÇÃO, ESPECIALMENTE NÓS, PAIS e MÃES

Um dia, isto tinha de acontecer.

Existe uma geração à rasca?

Existe mais do que uma! Certamente!

Está à rasca a geração dos pais que educaram os seus meninos numa abastança caprichosa, protegendo-os de dificuldades e escondendo-lhes as agruras da vida.

Está à rasca a geração dos filhos que nunca foram ensinados a lidar com frustrações.

A ironia de tudo isto é que os jovens que agora se dizem (e também estão) à rasca são os que mais tiveram tudo.

Nunca nenhuma geração foi, como esta, tão privilegiada na sua infância e na sua adolescência. E nunca a sociedade exigiu tão pouco aos seus jovens como lhes tem sido exigido nos últimos anos.

Deslumbradas com a melhoria significativa das condições de vida, a minha geração e as seguintes (actualmente entre os 30 e os 50 anos) vingaram-se das dificuldades em que foram criadas, no antes ou no pós 1974, e quiseram dar aos seus filhos o melhor.

Ansiosos por sublimar as suas próprias frustrações, os pais investiram nos seus descendentes: proporcionaram-lhes os estudos que fazem deles a geração mais qualificada de sempre (já lá vamos...), mas também lhes deram uma vida desafogada, mimos e mordomias, entradas nos locais de diversão, cartas de condução e 1º automóvel, depósitos de combustível cheios, dinheiro no bolso para que nada lhes faltasse. Mesmo quando as expectativas de primeiro emprego saíram goradas, a família continuou presente, a garantir aos filhos cama, mesa e roupa lavada.

Durante anos, acreditaram estes pais e estas mães estar a fazer o melhor; o dinheiro ia chegando para comprar (quase) tudo, quantas vezes em substituição de princípios e de uma educação para a qual não havia tempo, já que ele era todo para o trabalho, garante do ordenado com que se compra (quase) tudo. E éramos (quase) todos felizes.

Depois, veio a crise, o aumento do custo de vida, o desemprego, ... A vaquinha emagreceu, feneceu, secou.

Foi então que os pais ficaram à rasca.

Os pais à rasca não vão a um concerto, mas os seus rebentos enchem Pavilhões Atlânticos e festivais de música e bares e discotecas onde não se entra à borla nem se consome fiado.

Os pais à rasca deixaram de ir ao restaurante, para poderem continuar a pagar restaurante aos filhos, num país onde uma festa de aniversário de adolescente que se preza é no restaurante e vedada a pais.

São pais que contam os cêntimos para pagar à rasca as contas da água e da luz e do resto, e que abdicam dos seus pequenos prazeres para que os filhos não prescindam da internet de banda larga a alta velocidade, nem dos qualquercoisaphones ou pads, sempre de última geração.

São estes pais mesmo à rasca, que já não aguentam, que começam a ter de dizer "não". É um "não" que nunca ensinaram os filhos a ouvir, e que por isso eles não suportam, nem compreendem, porque eles têm direitos, porque eles têm necessidades, porque eles têm expectativas, porque lhes disseram que eles são muito bons e eles querem, e querem, querem o que já ninguém lhes pode dar!

A sociedade colhe assim hoje os frutos do que semeou durante pelo menos duas décadas.

Eis agora uma geração de pais impotentes e frustrados.

Eis agora uma geração jovem altamente qualificada, que andou muito por escolas e universidades mas que estudou pouco e que aprendeu e sabe na proporção do que estudou. Uma geração que colecciona diplomas com que o país lhes alimenta o ego insuflado, mas que são uma ilusão, pois correspondem a pouco conhecimento teórico e a duvidosa capacidade operacional.

Eis uma geração que vai a toda a parte, mas que não sabe estar em sítio nenhum. Uma geração que tem acesso a informação sem que isso signifique que é informada; uma geração dotada de trôpegas competências de leitura e interpretação da realidade em que se insere.

Eis uma geração habituada a comunicar por abreviaturas e frustrada por não poder abreviar do mesmo modo o caminho para o sucesso. Uma geração que deseja saltar as etapas da ascensão social à mesma velocidade que queimou etapas de crescimento. Uma geração que distingue mal a diferença entre emprego e trabalho, ambicionando mais aquele do que este, num tempo em que nem um nem outro abundam.

Eis uma geração que, de repente, se apercebeu que não manda no mundo como mandou nos pais e que agora quer ditar regras à sociedade como as foi ditando à escola, alarvemente e sem maneiras.

Eis uma geração tão habituada ao muito e ao supérfluo que o pouco não lhe chega e o acessório se lhe tornou indispensável.

Eis uma geração consumista, insaciável e completamente desorientada.

Eis uma geração preparadinha para ser arrastada, para servir de montada a quem é exímio na arte de cavalgar demagogicamente sobre o desespero alheio.

Há talento e cultura e capacidade e competência e solidariedade e inteligência nesta geração?

Claro que há. Conheço uns bons e valentes punhados de exemplos!

Os jovens que detêm estas capacidades-características não encaixam no retrato colectivo, pouco se identificam com os seus contemporâneos, e nem são esses que se queixam assim (embora estejam à rasca, como todos nós).

Chego a ter a impressão de que, se alguns jovens mais inflamados pudessem, atirariam ao tapete os seus contemporâneos que trabalham bem, os que são empreendedores, os que conseguem bons resultados académicos, porque, que inveja!, que chatice!, são betinhos, cromos que só estorvam os outros (como se viu no último Prós e Contras) e, oh, injustiça!, já estão a ser capazes de abarbatar bons ordenados e a subir na vida.

E nós, os mais velhos, estaremos em vias de ser caçados à entrada dos nossos locais de trabalho, para deixarmos livres os invejados lugares a que alguns acham ter direito e que pelos vistos - e a acreditar no que ultimamente ouvimos de algumas almas - ocupamos injusta, imerecida e indevidamente?!!!

Novos e velhos, todos estamos à rasca.

Apesar do tom desta minha prosa, o que eu tenho mesmo é pena destes jovens.

Tudo o que atrás escrevi serve apenas para demonstrar a minha firme convicção de que a culpa não é deles.

A culpa de tudo isto é nossa, que não soubemos formar nem educar, nem fazer melhor, mas é uma culpa que morre solteira, porque é de todos, e a sociedade não consegue, não quer, não pode assumi-la.

Curiosamente, não é desta culpa maior que os jovens agora nos acusam. Haverá mais triste prova do nosso falhanço?

Pode ser que tudo isto não passe de alarmismo, de um exagero meu, de uma generalização injusta.

Pode ser que nada/ninguém seja assim.

Autor desconhecido

quarta-feira, 9 de março de 2011

Educação e Televisão

Temos de concordar que a televisão é inimiga do diálogo, e o diálogo é regra de ouro na família. A televisão, embora possa ter algumas coisas boas, se não é usada com prudência e sabedoria pode "disfarçadamente" deseducar os filhos e desencorajar hábitos que tanto trabalho deram aos pais a fomentar. É imprescindível ter muita atenção e cuidado com os média, nomeadamente com a televisão. A regra deve ser a televisão apagada, sobretudo durante as refeições.

Quem acende a televisão devem ser os adultos, sendo que os filhos se quiserem terão de pedir autorização aos pais para verem determinado programa. O deixar ou não ver determinado programa, concurso, filme ou documentário, deve ser uma decisão ponderada pelos pais com base na qualidade do programa em si e não com base no comportamento da criança ou na sua vontade. Há de facto algumas coisas boas na t.v., ela pode proporcionar um entretenimento saudável e moderado se for usada de forma razoável e inteligente (como meio de unir a família portanto! e não o oposto).

O ideal é que haja apenas um aparelho de televisão na casa, isto dá aos pais um maior controle e faz com que todos sejam mais responsáveis na sua utilização. O desejado é que a família possa assistir em conjunto a bons programas, filmes, eventos desportivos, que sejam fonte de diálogo, de troca de ideias, risos e emoções em conjunto. Claro que as crianças podem fazer sugestões e pedidos para ver determinada série, mas são os pais que decidem como, o quê e quando (depois de se informarem bem acerca do programa e do seu conteúdo educativo). Esta liderança enfatiza a autoridade dos pais.

O que os pais devem procurar no uso moderado da t.v. não é apenas proteger as crianças, mas também ensiná-las a discernir por meio de critérios firmes, o que é bom e o que é mau.

Quando se tem um controlo sobre a televisão e esta sai "do centro da sala", acontecem espaços de tempo (inicialmente estranhos mas depois maravilhosos) para a vida em família. Mais tempo para pais e filhos se conhecerem, jogarem juntos, lerem bons livros, ajudarem-se mutuamente nas tarefas de cada um... Regra de ouro: saber tirar o melhor partido do pequeno ecrã!

In Megabébés

segunda-feira, 7 de março de 2011

Dez conselhos aos pais que têm filhos no ensino básico!


Também servem para os professores os divulgarem entre os pais.

1. Reduza o tempo que o seu filho passa em frente do televisor.

2. Crie uma rotina de trabalho e estudo e reforce a necessidade de cumprir o horário de estudo estabelecido.


3. Nunca diga mal dos professores ou da escola à frente do seu filho.

4. Tenha expectativas realistas face ao seu filho: nem demasiado ambiciosas e fantasistas nem demasiado baixas.

5. Certifique-se, todas as manhãs, se o seu filho leva os livros e os materiais na mochila e nunca deixe o seu filho sair de casa sem tomar o pequeno-almoço.

6. Assista às reuniões de pais.

7. Colabore com o professor do seu filho na realização de actividades extra-curriculares.

8. Informe o professor do seu filho sempre que esteja a acontecer algo que seja negativo para o desempenho do aluno.

9. Super visione o acesso do seu filho à Internet

10. Acompanhe, na medida do possível, os trabalhos de casa do seu filho mas nunca se substitua a ele.

in Profblog

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Maturidade dos pais

Ser pai ou mãe corresponde a um papel que está profundamente ligado ao passado de cada um e à respectiva construção da identidade. Nalgumas situações de difícil exercício da parentalidade, o papel separa-se da pessoa tendo como resultado que a integridade e coerência dos progenitores ficam comprometidas.

É difícil ser pai sem procurar ajustar a experiência individual e as vivências familiares, porque a experiência da parentalidade é uma síntese – mais inconsciente do que consciente – do que se viveu no passado com as fantasias face ao futuro. (…)

Diz-se que a competência para ser pai ou mãe exige maturidade, por isso se propõe o adiamento da situação até que as pessoas possam ter crescido emocionalmente. Mas o que significa ter maturidade ou quais serão os caminhos para a atingirmos?(…)

Um pai imaturo não se questiona, reage sem crítica, não se detém a questionar as suas acções: mas interessa que as dúvidas não paralisem a conduta, porque a culpa, a grande inimiga dos pais de hoje, tomará então o primeiro plano.

Depois, é bom conquistar a flexibilidade. Os pais devem ensinar, mas também podem aprender com as crianças e ter prazer em ser parceiros de brincadeiras.(…) O “teatro” familiar, em que a plasticidade dos papeis deve ser a regra, é um dos ingredientes do bem-estar das famílias.

Recomenda-se também o adiamento da solução fácil. As famílias, sobretudo as que lidam com crianças ou adolescentes mais desafiadores, receiam a incerteza e cultivam a resposta imediata, porque assim obtêm alívio por momentos: mas a vida em família e a educação das crianças envolve ambiguidade, por isso os pais com maturidade sabem que não existem soluções simples para questões complexas e continuam, sobretudo nos momentos de maior tensão, em busca de situações criativas para os problemas difíceis do seu quotidiano.

Outro dos erros dos pais imaturos é dizer frases como “o mais importante para mim é que os meus filhos sejam sempre felizes”. Esta é uma afirmação que contém uma ameaça velada e esconde uma tarefa impossível, pois ninguém verdadeiro está sempre contente: o que interessa é fornecer aos filhos a capacidade de lidar com o sofrimento, mais do que fingir que ele não existe. O pai com maturidade funciona como exemplo (…)

E mais importante do que tudo, os pais com maturidade sabem que os filhos não lhes pertencem e que, sobretudo a partir da adolescência, precisam de seguir um caminho próprio: é nessa altura que convém ter a certeza de que forneceram aos seus descendentes o essencial da diferença entre o que está bem e o que está mal, para que eles possam fazer escolhas adequadas e reagir com destreza às dificuldades do mundo(…).

In “Porque Sim” do Dr. Daniel Sampaio

Nem 8 nem 80!!

"A "mãe chinesa" que está a abalar a América!

No início do livro, Chua descreve uma lista de coisas que proibiu as filhas de fazerem, como ter notas inferiores a 5 (numa escala de 1 a 5), não serem as melhores alunas da sua turma a todas as disciplinas excepto Educação Física e Artes Dramáticas, ver televisão e jogar videojogos, passar a noite em casa das amigas, escolherem as suas próprias actividades extracurriculares e tocar um instrumento que não fosse o piano ou o violino."

Mais aqui

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

A música que se impõe de momento!!



Que Parva que sou - letra da nova canção do grupo Deolinda


Sou da geração sem remuneração
e não me incomoda esta condição.
Que parva que eu sou!
Porque isto está mal e vai continuar,
já é uma sorte eu poder estagiar.
Que parva que eu sou!
E fico a pensar,
que mundo tão parvo
onde para ser escravo é preciso estudar.

Sou da geração ‘casinha dos pais’,
se já tenho tudo, pra quê querer mais?
Que parva que eu sou
Filhos, maridos, estou sempre a adiar
e ainda me falta o carro pagar
Que parva que eu sou!
E fico a pensar,
que mundo tão parvo
onde para ser escravo é preciso estudar.

Sou da geração ‘vou queixar-me pra quê?’
Há alguém bem pior do que eu na TV.
Que parva que eu sou!
Sou da geração ‘eu já não posso mais!’
que esta situação dura há tempo demais
E parva não sou!
E fico a pensar,
que mundo tão parvo
onde para ser escravo é preciso estudar.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Os alunos do 2º e 3º ciclos vão ter, em média, menos 4 horas de aulas por semana...



Actualmente, a frequência destas disciplinas é obrigatória para todos. O decreto-lei que consagra estas alterações curriculares foi hoje publicado em "Diário da República".No 2º ciclo, que engloba 5º e 6º ano, os alunos que não forem encaminhados para o Estudo Acompanhado terão cerca de menos 10 horas lectivas (o equivalente a 6,5 tempos de 90 minutos). Por ano de escolaridade essa redução variará entre quatro e cinco horas. No 3º ciclo, que engloba o 7º, 8º e 9º ano, os alunos sem Estudo Acompanhado terão menos 12 horas (o equivalente a oito tempos de 90 minutos). No 7º e 8º ano essa redução será de cerca de 4,5 horas e no 9º de três. A ministra da Educação, Isabel Alçada, tem defendido que esta “racionalização” da carga horária deve ser aproveitada para fomentar o trabalho autónomo dos alunos e o melhor aproveitamento dos novos recursos disponíveis nas escolas. A extinção da Área de Projecto é uma das medidas contempladas no Orçamento de Estado para 2011. Também se encontrava previsto, nas medidas do OE, a eliminação do Estudo Acompanhado do elenco das áreas curriculares não disciplinares. A matriz horária que acompanhou o primeiro projecto do diploma não lhe reservava qualquer tempo.Estudo acompanhado para alunos com dificuldades O decreto-lei hoje publicado mantém o Estudo Acompanhado como área curricular não disciplinar e reserva-lhe dois tempos lectivos semanas de 45 minutos cada. Esta alteração já tinha sido anunciada pelo primeiro-ministro José Sócrates na sequência da divulgação dos resultados do PISA, no princípio de Dezembro. Formalmente, o diploma hoje publicado foi aprovado pelo Conselho de Ministros a 25 de Novembro, que é a data que consta também no "Diário da República". O presidente da Confederação Nacional de Associações de Pais, que tem assento no Conselho Nacional de Educação, garantiu que este organismo recebeu um novo projecto de diploma, depois de serem conhecidos os resultados do PISA, contendo as alterações anunciadas por Sócrates.O PISA é um estudo da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico que visa aferir as competências dos alunos de 15 anos. Pela primeira vez, os jovens portugueses aproximaram-se da média europeia. Uma das razões apontadas para esta evolução foi o facto de o Estudo Acompanhado, e também a Área de Projecto, estarem a ser utilizadas pelas escolas para reforçar a aprendizagem de Matemática e Língua Portuguesa.O diploma hoje publicado confirma que o Estudo Acompanhado deve ser “orientado para a melhoria dos resultados escolares nas disciplinas em que os alunos tenham maiores dificuldades e visa prioritariamente o reforço de apoio nas disciplinas de Língua Portuguesa e Matemática”. Será o conselho de turma a determinar quais os estudantes que devem frequentar aquela disciplina. As condições de funcionamento da disciplina são definidas por portaria. Menos um professor a EVT No 2º ciclo desaparece, como anunciado, o par pedagógico na disciplina de Educação Visual e Tecnológica, que passará a ser assegurada apenas por um professor em vez dos dois actuais. A Federação Nacional de Professores tem denunciado que as alterações previstas para o próximo ano lectivo poderão conduzir ao desemprego cerca de 30 mil docentes. A ministra da Educação tem respondido que não serão despedidos docentes. Conforme o PÚBLICO noticiou na semana passada, o Ministério da Educação garantiu que, neste diploma, foram tomadas em consideração as recomendações do Conselho Nacional de Educação. Estas recomendações constam do parecer aprovado pelo CNE a 14 de Dezembro e no qual este órgão consultivo do Governo e da Assembleia da República se pronuncia contra a extinção da área de projecto nos moldes em que será concretizada, contra a limitação do estudo acompanhado aos alunos com dificuldades e também se opõe ao fim do par pedagógico na disciplina de Educação Visual e Tecnológica. Estas considerações não foram contempladas. No seu parecer, o CNE sublinha que esta nova lei “apenas corporiza, no plano legislativo, medidas do orçamento de Estado para 2011, e que passam, entre outras, pela ‘redução de docentes'”. Alerta que “reduzir o Estudo Acompanhado a alunos com dificuldades de aprendizagem é insistir numa concepção de escola de remediação” e que se introduz assim “um princípio de discriminação de regulação do currículo nacional”. O CNE alerta também que a supressão de um professor na disciplina de Educação Visual e Tecnológica do 2º ciclo poderá levar ao “incumprimento de aulas práticas”.O novo diploma dá também autonomia às escolas para organizar as cargas horárias em 45 ou 90 minutos. Esta flexibilização foi considerada positiva pelo CNE. Os blocos de 90 minutos foram introduzidos em 2001 enquanto padrão a seguir como tempo útil de aula. O CNE sublinha também que as alterações para o próximo ano espelham “o que tem sido a orientação das políticas curriculares: o primado das alterações pontuais sobre as alterações sistematizadas”. No 1º ciclo mantém-se a mesma carga lectiva semanal: 26 horas

Via "Público"

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Como promover a participação dos pais no associativismo? O que podemos fazer?


2011 é o Ano Europeu do Voluntariado, sendo um dos seus objectivos mostrar que o voluntariado é uma das dimensões fulcrais da cidadania activa e da democracia.

O associativismo de pais é um projecto colectivo de participação voluntária e responsável na comunidade educativa, na qual todos têm o direito e o dever de participar. Existe, porém, um grande défice de participação na vida associativa e na partilha das responsabilidades na vida da escola, resultado da ausência da prática do exercício dos direitos e deveres de cidadania a nível nacional. Será utópico exigir que, a nível da participação dos pais na educação, esse exercício seja mais amplo sem que, antes, não se verifiquem profundas alterações na vida social e económica do País e se criem condições efectivas que potenciem essa mesma participação.

A função social do dirigente associativo, desempenhada com altruísmo e solidariedade, não está reconhecida. O valor do trabalho de milhares de mulheres e homens no movimento associativo de pais em todo o país não está quantificado. É indispensável que a sociedade reconheça esta função como um serviço público. É tempo do Estado, finalmente, atribuir aos dirigentes das associações de pais um estatuto próprio, reconhecendo o seu trabalho voluntário na Escola, na Educação, na Família e na Sociedade.

Este não reconhecimento, esta não valorização do trabalho associativo, são, também, uma das causas da ausência de uma cultura associativa no nosso país, do alheamento dos cidadãos para as tarefas colectivas e de cidadania.

É nosso objectivo continuar a desenvolver acções que contribuam para um associativismo de pais mais activo, dinâmico, participativo e solidário. Para o efeito, vamos prosseguir e intensificar as acções para se criarem condições para melhorar o trabalho das associações de pais nas escolas, junto das famílias e da comunidade educativa.

Que 2011 seja o ano da consciencialização para os valores do associativismo parental e o reconhecimento da sua função social como serviço público!

Na Escola como em Casa há um lugar que é dos Pais!

* texto Fersap

domingo, 30 de janeiro de 2011

A importância de saber chegar a casa!

Mário Cordeiro, pediatra, disse numa conferência organizada pelo Departamento de Assuntos Sociais e Culturais da Câmara Municipal de Oeiras, que muitas birras e até problemas mais graves poderiam ser evitados se os pais conseguissem largar tudo quando chegam a casa para se dedicarem inteiramente aos seus filhos durante dez minutos.

Ao fim do dia os filhos têm tantas saudades dos pais e têm uma expectativa tão grande em relação ao momento da sua chegada a casa que bastava chegar, largar a pasta e o telemóvel e ficar exclusivamente disponível para eles, para os saciar. Passados dez minutos eles próprios deixam os pais naturalmente e voltam para as suas brincadeiras. Estes dez minutos de atenção exclusiva servem para os tranquilizar, para eles sentirem que os pais também morrem de saudades deles e que são uma prioridade absoluta na sua vida. Claro que os dez minutos podem ser estendidos ou até encurtados conforme as circunstâncias do momento ou de cada dia. A ideia é que haja um tempo suficiente e de grande qualidade para estar com os filhos e dedicar-lhes toda a atenção.

Por incrível que pareça, esta atitude de largar tudo e desligar o telemóvel tem efeitos imediatos e facilmente verificáveis no dia-a-dia.

Todos os pais sabem por experiência própria que o cansaço do fim de dia, os nervos e stress acumulados e ainda a falta de atenção ou disponibilidade para estar com os filhos, dão origem a uma espiral negativa de sentimentos, impaciências e birras.

Por outras palavras, uma criança que espera pelos pais o dia inteiro e, quando os vê chegar, não os sente disponíveis para ela, acaba fatalmente por chamar a sua atenção da pior forma.

Por tudo isto e pelo que fica dito no início sobre a importância fundamental que os pais-homem têm no desenvolvimento dos seus filhos, é bom não perder de vista os timings e perceber que está nas nossas mãos fazer o tempo correr a nosso favor.

O Papel dos Pais e Encarregados de Educação

A escola, especialmente ao longo do Ensino Básico e Secundário, deixou de visar apenas a transmissão de conhecimentos para privilegiar o desenvolvimento de:

• Capacidades e aptidões dos alunos;
• Atitudes de autonomia pessoal e de cidadania.

Mas, para que essa finalidade se cumpra, é necessário aproximar a escola ao meio familiar e social em que a criança e o adolescente vivem, já que aos pais e encarregados de educação cabe um papel decisivo nesse desenvolvimento. É-lhes pedido que:

... Acompanhem regularmente as actividades dos seus educandos,

• Incentivando-os na realização das tarefas escolares;
• Consultando com eles cadernos e livros.

... Os ajudem a desenvolver hábitos de trabalho e atitudes de cooperação nomeadamente,

• Assiduidade, pontualidade e cumprimento atempado das suas obrigações escolares;
• Respeito pelo trabalho dos colegas e disponibilidade para a entreajuda.

... Sigam atentamente as informações fornecidas pela escola, no que se refere a:

• Actividades desenvolvidas pela escola;
• Faltas dos educandos;
• Resultados da avaliação contínua;
• Outras comunicações.

... Contactem com os professores, para trocar opiniões sobre aspectos relacionados com:

• A integração na vida escolar dos seus educandos;
• O processo de aprendizagem.

... Facilitem contactos e pesquisa de informações, quando os alunos:

• Para isso forem solicitados pelos professores;
• Manifestem o desejo de o fazer.

... Conheçam os planos de estudo e sua organização, de modo a poderem orientar os seus filhos na tomada de decisões sobre as alternativas que o percurso escolar vai oferecendo, nas suas diferentes etapas.

... Colaborem na vida da escola, conhecendo e participando na elaboração do projecto educativo e do plano anual de actividades.

A todos os pais e encarregados de educação assiste o direito de participar no processo educativo dos seus filhos. Esta participação pode assumir duas formas distintas:

• Individualmente, enquanto encarregado de educação de um aluno de determinada escola;
• Enquanto membro de uma associação de pais e encarregados de educação.

No 1º caso, os pais e encarregados de educação podem intervir directamente:

• Contactando com o professor, no período reservado ao atendimento de pais e encarregados de educação, em qualquer momento do ano lectivo;
• Participando em actividades promovidas pela escola, no âmbito da Turma, ou nas actividades de complemento curricular;
• Colaborando com os técnicos de orientação escolar e profissional, em acções de informação e sensibilização, nomeadamente contribuindo com o relato da sua experiência profissional;
• Acompanhando e participando activamente no percurso escolar do seu educando, designadamente quanto ao processo de avaliação.



No 2º caso, os pais e encarregados de educação, através da sua representação institucional - a Associação de Pais -, podem manter contactos com a escola e a comunidade educativa em diversas modalidades e momentos:

• Através da integração nos seguintes órgãos: Conselho Geral e Conselho Pedagógico do Agrupamento;
• Em reuniões com o órgão de gestão/Director para tratar assuntos relacionados com o processo educativo dos alunos e a vida da escola;

Facilmente nos apercebemos que, cada vez mais, os pais e os encarregados de educação - individualmente ou em associações - são chamados a intervir no processo educativo dos seus filhos ou educandos a nível da escola.

Esta mudança de atitude da escola, antes tradicionalmente fechada sobre si e sobre os seus métodos e programas, reclama que os pais e os encarregados de educação tenham também uma nova postura perante a escola. Neste processo de envolvimento dos pais na escola assumem particular importância as Associações de Pais.

Na Escola como em Casa há um lugar que é dos Pais!
CONTAMOS CONTIGO PORQUE A ESCOLA FAZ-SE COM TODOS!

* texto CONFAP

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Concordam pais??

"Onde estão as melhores escolas do mundo? Claro! Está certo! Em... Portugal. Ora vejamos com atenção o exemplo de uma vulgar turma do 7.º ano de escolaridade, ou seja, ensino básico. Ah, é verdade, ensino básico é para toda a gente, melhor dizendo, para os filhos de toda a gente!

DISCIPLINAS/ÁREAS CURRICULARES NÃO DISCIPLINARES:
1. Língua Portuguesa
2. História
3. Língua Estrangeira I - Inglês
4. Língua Estrangeira II - Francês
5. Matemática
6. Ciências Naturais
7. Físico-Químicas
8. Geografia
9. Educação Física
10. Educação Visual
11. Educação Tecnológica
12. Educação Moral R.C.
13. Estudo Acompanhado
14. Área Projecto
15. Formação Cívica

É ISSO - CONTARAM BEM - SÃO 15. Carga horária = 36 tempos lectivos.

Não é o máximo ensinar isto tudo aos filhos de toda esta gente? De todo o Portugal? Somos demais, mesmo bons!

MAS NÃO FICAMOS POR AQUI!!!! A Escola ainda:
* Integra alunos com diferentes tipologias e graus de deficiência, apesar dos professores não terem formação para isso;
* Integra alunos com Necessidades Educativas de Carácter Prolongado de toda a espécie e feitio, apesar dos professores não terem formação para isso;
* Não pode esquecer os outros alunos,'atestado-médico-excluídos' que também têm enormes dificuldades de aprendizagem;
* Integra alunos oriundos de outros países que, por as mais das vezes não falam um cu de Português, ou melhor, nem sequer sabem o que quer dizer cu.


Tem o dever de criar outras opções para superar dificuldades dos alunos, como:
* Currículos Alternativos
* Percursos Escolares Próprios
*Percursos Curriculares Alternativos
*Cursos de Educação e Formação


MAS AINDA HÁ MAIS...
A Escola ainda tem o dever de sensibilizar ou formar os alunos normais variados domínios:
*Educação sexual;
*Prevenção rodoviária;
*Promoção da saúde, higiene, boas práticas alimentares, etc. ;
*Preservação do meio ambiente;
*Prevenção da toxicodependência;
*Etc, etc...'peço desculpa por interromper, mas... em Portugal são todos órfãos?'(possível interpolação do Ministro da Educação da Finlândia).


Só se encontra mesmo um único defeito: Os PROFESSORES!!! Uma cambada de selvagens e incompetentes, que não merecem o que ganham, trabalham poucas horas (Comparem com os alunos! Vá! Vá! Comparem!!!). Têm muitas férias, faltam muito, passam a vida a desrespeitar e a agredir os pobres dos alunos, coitados! Vejam bem que os professores chegam ao cúmulo de exigir aos alunos que tragam todos os dias o material para as aulas, que façam trabalhos de casa, que estejam atentos e calados na sala de aula, etc... e depois ainda ficam aborrecidos por os alunos lhes faltarem ao respeito! Olha que há cada uma!

COM FRANQUEZA!!! Vale a pena divulgar ao maior número de pessoas (de preferência não professores) para que uma visão mais realista se comece a sedimentar. É bom que as pessoas percebam que ter filhos acarreta muita responsabilidade - não só a de os alimentar, vestir, comprar telemóveis, mp3, PC, como também, e principalmente: EDUCÁ-LOS!!!!!"

* enviado por mail

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Escola: onde ensinar os alunos parece ser o menos importante...

Faço projectos, planos, planificações;
Sou membro de assembleias, conselhos, reuniões;
Escrevo actas, relatórios e relações;
Faço inventários, requerimentos e requisições;
Escrevo actas, faço contactos e comunicações;
Consulto ordens de serviço, circulares, normativos e legislações;
Preencho impressos, grelhas, fichas e observações;
Faço regimentos, regulamentos, projectos, planos, planificações;
Faço cópias de tudo, dossiers, arquivos e encadernações;
Participo em actividades, eventos, festividades e acções;
Faço balanços, balancetes e tiro conclusões;
Apresento, relato, critico e envolvo-me em auto-avaliações;
Defino estratégias, critérios, objectivos e consecuções;
Leio, corrijo, aprovo, releio múltiplas redacções;
Informo-me, investigo, estudo, frequento formações;
Redijo ordens, participações e autorizações;
Lavro actas, escrevo, participo em reuniões;
E mais actas, planos, projectos e avaliações;
E reuniões e reuniões e mais reuniões!...
E depois ouço, alunos, pais, coordenadores, directores, inspectores, observadores,
secretários de estado, a ministra e, como se não bastasse, outros professores, e a
ministra!...
Elaboro, verifico, analiso, avalio, aprovo;
Assino, rubrico, sumario, sintetizo, informo;
Averiguo, estudo, consulto, concluo,
Coisas curriculares, disciplinares, departamentais,
Educativas, pedagógicas, comportamentais,
De comunidade, de grupo, de turma, individuais,
Particulares, sigilosas, públicas, gerais,
Internas, externas, locais, nacionais,
Anuais, mensais, semanais, diárias e ainda querem mais?
Que eu dê aulas!?...

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Excelente investigação!

Bons alunos mesmo sendo pobres

Os recursos económicos das famílias não têm influência directa nos resultados escolares dos jovens. Um estudo feito junto da população carenciada do Vale do Ave mostra que há bons e maus alunos entre as famílias mais pobres. A diferença está na forma como as famílias encaram o percurso escolar dos jovens.
A investigadora Teresa Guimarães refere que o objectivo do estudo era comparar o percurso escolar de crianças e o impacto do ambiente familiar. As conclusões revelam que "o nível socio-económico baixo das famílias não pode ser sinónimo de um grande insucesso escolar". Ou seja, não é por as famílias terem pouco dinheiro que as crianças estão condenadas a fracassar na escola.
De facto, a comparação entre dois grupos de 12 famílias cada um, permitiu à investigadora da faculdade de psicologia da Universidade do Porto, concluir que para inverter o insucesso na população carenciada é preciso investir na formação parental e nas actividades extracurriculares.
Mas se o dinheiro não é determinante, então quais são as diferenças entre as 12 famílias com estudantes de sucesso e as outras 12 de insucesso? Naquelas em que os filhos, com idades entre os 12 e os 15 anos, conseguem notas de 4 e 5 (numa escala de 0 a 5), os pais "têm expectativas mais elevadas quanto à escolaridade dos filhos, disponibili-zam mais materiais de aprendizagem que estimulam intelectualmente os filhos e inscrevem-nos em actividades extracurriculares", explica Teresa Guimarães. Além disso, referem como principal receio que as suas limitações económicas possam impedir os filhos de estudar.
No outro grupo em que as notas são baixas e há registos de chumbos, os pais "têm expectativas muito baixas, os filhos não estão ocupados nos tempos mortos com actividades extracurriculares e os pais não conhecem tão bem a vida escolar dos filhos", acrescenta. Estas percepções foram recolhidas em entrevistas aos pais e referem-se aos resultados escolares dos jovens no ano lectivo 2009-2010.
Para inverter esta tendência, Teresa Guimarães considera necessário "um acompanhamento psicológico junto dos adolescentes e um maior envolvimento parental, porque os pais deixam-nos mais sozinhos porque acham que já são adultos e não precisam de acompanhamento". Outro ponto que a investigadora e psicóloga escolar defende é a "sensibilização para a criação das actividades extracurriculares, para que os alunos estejam ocupados e não expostos a risco".


Fonte: DN

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Children see, children do!